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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Análise comportamental das agências de controle do comportamento


                Agências de controle são pessoas ou organizações encarregadas de incentivar, acompanhar e selecionar, pela apresentação de consequências, determinados tipos de interação entre pessoas e/ou organizações. Skinner definiu agências de controle como grupos dentro de um grupo maior que controlam a programação e a efetivação de consequências para certos comportamentos. Mesmo quando uma pessoa controla a apresentação de consequências, como faz o terapeuta na psicoterapia ou a mãe na família, esse controle é exercido segundo regras próprias das instituições legitimadas “psicoterapia” e “família”.

Qualquer que seja o grupo, qualquer que seja seu tamanho, esse grupo exerce o controle sobre seus membros principalmente por meio de seu poder de reforçar e de punir, de acordo com regras (relações condicionais entre comportamentos e consequências) que definem o grupo. O conjunto dessas relações condicionais caracteriza uma cultura.

Em qualquer grupo, organização, etnia ou sociedade, o conjunto de relações condicionais (contingências comportamentais e metacontingências) é resultado da evolução ao longo do tempo das interações entre pessoas. Na espécie humana a maior complexidade dessas agências parece ter surgido há 12.000 anos, com a agricultura e o sedentarismo que se seguiu aos tempos movimentação de coletores e caçadores.

Governo é uma das agências de controle mais antigas, sempre presente em qualquer grupo, quer como um chefe, quer como um conjunto de instituições governadas elas mesmas por uma constituição. Nas Ciências Humanas, certas agências são alvo de estudos de mais de uma ciência, como a família (psicologia, antropologia, sociologia, etc.) ou o governo (sociologia, ciência política, etc.). Ao longo do tempo cada ciência desenvolve suas teorias independentemente, ainda que cada uma delas assuma aberta ou dissimuladamente alguma teoria sobre o comportamento humano. A única abordagem a tratar de maneira uniforme todas as ciências humanas é a Análise do Comportamento via análise das agências de controle do comportamento regido por relações condicionais entre comportamentos e consequências.












quarta-feira, 19 de abril de 2017

Não pergunte por quem os sinos dobram.


            Em 11 de janeiro de 49 Antes de Cristo o general (e depois Imperador) Júlio César comandou seu exército na travessia do Rio Rubicão, fronteira que separava a Gália Cisalpina, onde era governador, e a Itália, a caminho de conquistar Pompéia e depois Roma, desobedecendo o Senado romano.
“Atravessar o Rubicão” acabou sendo uma expressão usada para indicar decisões que não admitem volta. Entre uma graduação em literatura e um doutorado Skinner atravessou seu Rubicão via laboratórios de biologia de Harvard, provavelmente usando a filosofia como ponte. Nosso Rubicão é o rio que divide a psicologia entre os que a consideram uma ciência natural e os que ainda acham que com o homem é diferente.
Na margem mais frequentada do Rubicão da Psicologia ficam todos os que explicita ou implicitamente admitem uma agencia que inicia ações e toma decisões, um “eu”, ou “self”, ou “pessoa”, ou “alma”, ou “espírito”, ou assemelhados, mesmo quando admitem um papel também para o ambiente externo ao organismo. Os que criam coragem e atravessam esse rio encontram o terreno ainda um tanto selvagem, um tanto desconfortável, apesar de mais de 100 anos do trabalho desbravador de Watson e de Skinner.
Do lado skinneriano do rio da psicologia o comportamento é visto como evento natural, fluindo constantemente, malha delicadíssima unida por antecedentes e consequentes, organizando-se em repertórios específicos para tempos e espaços, repertórios para reconhecer repertórios, produtos em parte da história de evolução da espécie, em parte da evolução de cada comportamento, esta evolução modulada por outros repertórios organizados de pessoas de seu grupo que exercem as funções de agências de controle encarregadas de zelar por contingências sociais.
Agora vá lá e tente explicar isso para o seu vizinho ou seu aluno de primeiro semestre. Para não perder a audiência muitos acabam usando a linguagem comum e diária, a linguagem do leigo, não a da ciência, mas a linguagem do leigo é mentalista e não tem lugar para uma pessoa sem um “eu” uno e indivisível, autônomo, e responsável pelos seus atos.
Como explicar que substantivos são abstrações, que o mundo é feito de verbos de ação? Pessoas não têm “vida”, pessoas vivem. Pessoas não têm “inteligência”, pessoas se comportam de maneira tal que são classificadas por outros como “inteligentes”. A “inteligência” medida pelo teste de QI não é uma coisa, é um conceito, o substantivo “inteligência” se refere a um conceito, uma abstração. A “vida” não é uma sequência mecânica de pedaços de realidade amarrados uns aos outros com arame. O que mais se aproxima do conceito de comportamento de pessoas em grupo como postulado por Skinner em “Ciência e Comportamento Humano” é o conceito de fluxo de William James (ainda que ele falasse de fluxo da consciência, do pensamento apenas) e a maneira como essa ideia de fluxo é usada na literatura. Para ilustrar, o que segue é um exemplo de fluxo da consciência:

Como a humanidade é louca, pensou ela ao atravessar Victoria Street. Porque só Deus sabe porque amamos tanto isto, o concebemos assim, elevando‑o, construindo‑o à nossa volta, derrubando‑o, criando‑o novamente a cada instante, mas até as próprias megeras, as mendigas mais repelentes sentadas às portas (a beberem a sua ruína) fazem o mesmo; não se podia resolver o seu caso, ela tinha a certeza, com leis parlamentares por esta simples razão: porque amam a vida. Nos olhos das pessoas, no movimento, no bulício e nos passos arrastados; no burburinho e na vozearia; os carros, os automóveis, os ónibus, os camiões, homens‑sanduíches aos encontrões, bamboleantes; bandas de música; realejos, no estrondo e no tinido e na estranha melodia de algum aeroplano por cima das nossas cabeças, era o que ela amava, a vida, Londres; este momento de junho. Porque era em meados de junho. ”
 (Virginia Wolf, Mrs. Dalloway, 1925, trad. port. Lisboa, Ulisseia, 1982, pp.5-6. Transcrito do Wikipédia)

Esse texto da escritora Virgínia Wolf é bom para ilustrar o que entendemos por rede de comportamentos. Ninguém está só. Como escreveu Baum (1992), “O comportamento ocorre em um contexto muito amplo, limitado só por nossa capacidade de conhecer toda extensão da trama. ” Todo e qualquer comportamento ocorre como parte de uma grande rede de eventos relacionados. Do nascimento à morte somos moldados por (e fazemos parte de) alguma comunidade. Como notado por John Donne por volta de 1600, nenhum homem é uma ilha (Baum, 1992). No texto famoso Donne argumenta poeticamente, a partir da consciência de que todos pertencemos à humanidade, que o que acontece a alguém afeta a todos, o que altera uma parte altera o todo. O texto muito citado costuma ser encerrado por outra frase que tem inspirado gerações, e que aqui vai por mim traduzida: “Se os sinos da igreja tocarem pela morte de alguém, não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. ”
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A seguir o texto original conforme pode ser encontrado no Google:
This is a quotation from John Donne (1572-1631). It appears in Devotions upon emergent occasions and seuerall steps in my sicknes - Meditation XVII, 1624:
"All mankind is of one author, and is one volume; when one man dies, one chapter is not torn out of the book, but translated into a better language; and every chapter must be so translated...As therefore the bell that rings to a sermon, calls not upon the preacher only, but upon the congregation to come: so this bell calls us all: but how much more me, who am brought so near the door by this sickness....No man is an island, entire of itself...any man's death diminishes me, because I am involved in mankind; and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee."

Bibliografia
            Baum, W. M. (1995). Radical behaviorism and the concept of agency. Behaviorology, 3(1), 93-106. (www.researchgate.net/publication/233815151_Radical_Behaviorism_and_the_Concept_of_Agency)
            Skinner, B. F. (1953/1967). Ciência e Comportamento Humano. Tradução de J. C. Todorov e R. Azzi. Brasília: Editora Universidade de Brasília (1a edição da tradução).
            Todorov, J. C. (1989/2007) A psicologia com estudo de interações. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 23, Número Especial, 57-61.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Análise do Comportamento Econômico e a macrocontingência do salário médio da população.


            Reconhece-se a condição de recessão econômica no Brasil; o Produto Nacional Bruto vem caindo por vários trimestres. O índice de desemprego mais que dobrou, a inflação ameaça ficar sem controle. Nessas condições está em discussão no Banco Central um aumento dos juros como instrumento para conter a inflação. Se isso acontecer, a inflação será domada via aumento ainda maior no desemprego e diminuição do salário médio real pago aos trabalhadores, já diminuído pela inflação. Esse processo pode ser visto como um conjunto de metacontingências e de macrocontingências.

            Contingências são relações condicionais. Relacionam uma situação, um comportamento, e a consequência que depende desse comportamento. Um exemplo de contingência comportamental pode ser visto no comportamento do desempregado; se procurar emprego, a probabilidade de conseguir é maior que zero; se não procurar é zero. Procurar emprego é reforçado por conseguir ser empregado. Como todo comportamento operante, entra em extinção quando nunca leva à consequência almejada.

            Metacontingências envolvem o comportamento colaborativo de pelo menos duas pessoas. Relacionam: (a) uma situação,  (b) o trabalho colaborativo de pessoas para produzir um efeito agregado, e (c) a consequência providenciada pelo ambiente cultural selecionador. Um exemplo de metacontingência é o que vai acontecer no Banco Central: com a inflação subindo a cada mês (situação), um conselho vai se reunir para chegar a uma decisão (efeito agregado), esperando que o efeito imediato na atividade de todos os agentes econômicos (incluindo eu e você) tenha como consequência a diminuição da inflação mensal.

            Macrocontingências envolvem o comportamento de muitas pessoas e de seus comportamentos regidos por contingências idênticas, mas independentes; não há colaboração, mas a macrocontingência se caracteriza pelo efeito cumulativo no ambiente social de um número tal de comportamentos independentes. É o caso do número de desempregados. Quando o desemprego é baixo, flutuações nesse índice não afetam o salário médio dos trabalhadores empregados. Os economistas consideram que cerca de 5% de desempregados na população é um índice bom para manter os salários (e a inflação) estáveis.  Se são poucos os desempregados os empregadores disputam contratações oferecendo salários mais altos; se são muitos, os desempregados aceitam trabalhar por menores salários.

            Buscar emprego é comportamento operante, individual, mas as circunstâncias em que ocorre resultam de decisões coletivas. Demissões ocorrem quando intervenções desastradas  no ambiente econômico desarranjam as cadeias de produção e consumo, alteram arbitrariamente preços relativos e geram insegurança em quem pode investir. Se os juros estão subindo mais que a inflação é melhor não trocar de carro agora, por exemplo, e por o dinheiro para render juros no mercado financeiro.

            Como Skinner já escrevia em 1953 no livro Ciência e Comportamento Humano, as leis das ciências sociais têm sua correspondência no comportamento de pessoas. É o dono do dinheiro que decide (contingência comportamental) guardar os dólares e gastar os reais. A macrocontingência é caracterizada pelo efeito cumulativo: “a moeda boa afugenta a moeda má.”


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O complexo de vira-latas como ele é.

 Frases de Nelson Rodrigues em crônica no jornal O Globo, nos anos 50, antes da seleção embarcar para jogar na Suécia:

“Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.

“Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

“O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender.”

Reescrevendo Nelson Rodrigues:

O problema do Brasil não é de trabalho, nem de técnica, nem de competência. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

“Complexo de vira-latas” explica muita coisa. Devemos essa descoberta ao Nelson Rodrigues, de “A vida como ela é”, entre outras obras. O complexo de vira-latas teria ido para o espaço com a conquista da Copa do Mundo de 1958, com os 50 anos em cinco, do Presidente Juscelino, a industrialização do país, e por aí vai. Mas o cronista Nelson Rodrigues teria muito assunto  nos dias de hoje (especialmente depois dos 7 a 1 da Alemanha). Sempre que ponho no meu blog ou no Facebook algum exemplo de modificação em larga escala de práticas culturais alguém escreve que no Brasil não daria certo. 
Preservar o meio ambiente? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Controlar a venda e o porte de armas? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Diminuir a desigualdade econômica? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Diminuir gastos com saúde aumentando impostos sobre bebidas e cigarros? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Programas governamentais visando mudanças rápidas em práticas culturais para combater o mosquito da dengue? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Planejar pensando no longo prazo e construir rodoaneis e anéis ferroviários nas metrópoles como São Paulo? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Garantir que as agências que fiscalizam as barragens façam isso? “Não vai dar certo no Brasil”. 
Garantir que as leis sejam obedecidas pelos governos? “Não vai dar certo no Brasil”.

O futuro sempre depende de nossa confiança. Como alguém vai investir no futuro quando ninguém acha que alguma coisa vai dar certo no Brasil? Sem acreditar nas promessas dos políticos de qualquer coloração, o povo, apático, trata apenas de seu dia-a-dia: credibilidade depende da experiência e nossa história recente é deprimente.
Não dá para acreditar no planejamento do governo, muito do orçamento aprovado é wishful thinking. Não se leva a sério precisão e controle, fator básico nas ciências naturais, mas quase nunca presente nas ciências humanas, mais dedicadas a explicar do que prever. Evitar, garantir e prevenir dependem de prever e controlar.

O povo vai começar a se levar a sério quando começar a ser levado a sério por seus governos.


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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Cultura e a análise comportamental de práticas culturais.


Conceitos como o de metacontingência tornam possível tratar de assuntos culturais sem precisar recorrer a um diferente nível de linguagem. Podemos nos referir a questões sociais utilizando termos que se relacionam diretamente a contingências comportamentais. O conceito de metacontingência é um novo instrumento, um novo conceito que pode ampliar nossa compreensão de práticas culturais.
Eram de se esperar objeções à análise comportamental de práticas culturais.  Nós, analistas do comportamento, estamos tão entusiasmados com os avanços práticos no campo que tendemos a minimizar as ações deletérias da oposição. O fato é que nossa visão do homem no mundo vai contra séculos de sua glorificação como medida de todas as coisas; estamos em uma posição pós-renascentista. 
Não há como evitar as objeções à análise do comportamento levantadas por aqueles que acreditam que o homem é diferente, em sua essência, do mundo natural. Na maioria dos casos o outro lado advoga uma abordagem holística à pessoa e a palavra comportamento é vista como anátema. Em vez de entrar em uma discussão sem fim, acredito que devemos mostrar novos dados para aqueles preocupados com ações sociais, dados úteis que a análise comportamental pode produzir.
  Nesse sentido, o que deveríamos fazer é aplicar novos conceitos a problemas práticos e mostrar que eles podem ser úteis aos interessados na análise e na modificação de práticas culturais. Precisamos de mais trabalhos como os de Sigrid Glenn, Maria Malott, Joel Greenspoon, Richard Rakos, Mark Mattaini, para mencionar somente algumas contribuições memoráveis. Estaremos entrando na área da Educação, da Ciência Política, da Sociologia, da Antropologia e da Economia. Sabemos que, no passado, analistas do comportamento já cruzaram fronteiras, como Jack Michael,Teodoro Ayllon, e Luiz Otávio de Seixas Queiroz, trabalhando em hospitais psiquiátricos, e Skinner e Fred Keller buscando mudar a educação a partir de métodos analíticos comportamentais. A suposição, não testada, era a de que se poderia mudar o grupo por meio do controle das contingências para o comportamento individual; talvez possamos tirar proveito de um novo olhar para tentativas semelhantes examinando, especialmente, as que falharam.
  Por não nos preocuparmos muito com estar cruzando fronteiras, certamente provocaremos algumas reações negativas de colegas, psicólogos ou não, mas isso não será novidade para a análise do comportamento.

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Tradução feita por Maria Silvia Ribeiro Todorov de partes de um texto publicado originalmente em inglês.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A enésima morte do behaviorismo.


Uma das discussões do recente “I Encontro Brasileiro de Estudantes de Psicologia” na USP referia-se à frequentemente anunciada morte do behaviorismo. A prova de que o behaviorismo não está morrendo é a própria realização desse I Encontro, de vários encontros regionais e locais, das inúmeras JACs espalhadas pelo país e dos grupos behavioristas na internet. Um behaviorista incomoda muita gente, milhares de behavioristas brasileiros incomodam muito mais.
Para seus adversários o behaviorismo é pesadelo recorrente, pois sempre volta a incomodar. Para mim não morre tão cedo, nem vai desaparecer depois de uma altamente improvável vitória total sobre seus oponentes – nesse caso todas as ciências humanas seriam behavioristas e o rótulo perderia o sentido, seria apenas sinônimo de humanas. Afinal, faz pouco mais de um século que Freud puxou o tapete dos racionalistas e furou a bolha do ego como senhor de suas ações. Lembremo-nos que 150 anos depois de Darwin o criacionismo ainda viceja e cria problemas para o ensino de biologia. Teremos ainda uns quinhentos anos até que as fichas (a do Darwin, a do Freud, e a do Skinner) caiam para as ciências humanas.
Não adianta discutir o que fazer para que sejamos aceitos. Incomodamos porque nos comportamos como ciência natural. Alguns analistas do comportamento abandonaram as esperanças nas ciências humanas e apostam na análise do comportamento como ramo da biologia, deixando de lado inclusive a psicologia como a conhecemos.  O futuro dessa aposta é incerto. Até agora a biologia importou nossas técnicas, mas não a teoria.
O cientista especializado em qualquer campo, da biologia celular à poeira das estrelas, quando deixa a proteção de sua teoria é um cidadão como outro qualquer, politicamente de direita, de centro ou de esquerda, religioso ou ateu, machista ou feminista, etc., etc. Vive em ambiente social caracterizado por contingências e regras que evoluíram ao longo de séculos ou milênios. A “agua” em que está “nadando” parece ser incompatível com o “cheiro’ do behaviorismo. Ver


Sobre a pessoa como autora de suas próprias ações, vale a pena ler Richard Rakos:


It is probably not an overstatement to suggest that a libertarian free will notion of human agency, one in which people are seen as authors of their own actions, is the heart of Western religious, philosophical, and legal understandings of moral responsibility  by which Western society articulates its ideas of justice and accountability.”

Mesmo nas hard sciences, nas ciências exatas e naturais, as teorias costumam evitar a questão do livre arbítrio, apesar dos dados e da lógica com os quais trabalham. O grande problema está no fato que esses mesmos cientistas sentem que em sua própria vida o livre arbítrio impera em suas decisões diárias. Para Rakos,


“Neither rational argument nor empirical demonstrations are likely to modify a genetically-based and culturally supported belief in free will that is widely, intimately, and repeatedly experienced and that produces highly adaptive outcomes.”