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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Trends in Behavior Analysis, volume 1.


“Trends in Behavior Analysis” Volume 1 é um conjunto de capítulos escritos por encomenda para a divulgação internacional do trabalho em Análise do Comportamento feito no Brasil. Pode ser encontrado online na Apple Store ou no site da Editora Technopolitik, para download gratuito.

O Brasil só perde para os Estados Unidos em número de pesquisadores e de publicações em Análise do Comportamento, mas sua divulgação é prejudicada pela língua. Publicações em inglês, a língua internacional da ciência na atualidade, ainda são uma pequena parte do conjunto. A coleção “Trends in Behavior Analysis” pretende ser um conjunto de volumes que vai retratar a variedade de áreas e assuntos abordados pelos pesquisadores brasileiros que apresentam sua produção para o acesso da comunidade internacional. E para os programas brasileiros de pós-graduação, cada vez mais exigentes quanto ao domínio da língua inglesa.






Trends in Behavior Analysis, Volume 1

Introduction - Some old and new trends in Brazilian Behavior Analysis.  João Claudio Todorov 

 1 What Is ethical behavior? Alexandre Dittrich

2 Behavior Analysis, creativity and insight. Marcus Bentes de Carvalho Neto, João Ilo Coelho Barbosa, Hernando Borges Neves Filho, Paulo Elias Gotardelo Delage, and Rubilene Pinheiro Borges.

3 Behavioral Analysis of law: a brief overview of the juxtaposition of law and radical behaviorismo. Julio Cesar de Aguiar and Leandro Oliveira Gobbo

 4 Parental alienation constructo. Paula Inez Cunha Gomide.

5 Cultural practices are hard to change. Camila Muchon de Melo

6 Conservation and transformation of cultural practices through contingencies and metacontingencies. João Claudio Todorov

7 Stimulus control and Verbal Behavior: (in)dependent relations in populations with minimal verbal repertoires. Ana Claudia Moreira Almeida Verdu and Raquel Melo Golfeto

8 Chaining and ordinal classes: conceptual, methodological, and intervention aspects. Grauben Assis

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Transferência condicionada de renda, contingências e outras relações condicionais.
               
Alguns amigos do Facebook reclamaram de meu apoio a um projeto que estabelece uma contingência no programa Bolsa Família (ex-Bolsa Escola) entre trabalhar e receber o benefício (dinheiro). Acho que está na hora de avisar aos que não gostam do behaviorismo:

1 – O Bolsa Família é um programa de transferência condicionada de renda. Quem não acreditar deve ler o texto da lei.

2 – Transferência condicionada de renda quer dizer: o benefício é contingente ao comportamento prescrito na lei.

3 – Contingência é uma relação condicional: se comportamento, então benefício (consequência).

4 – O Bolsa Família define uma contingência complexa, que varia de acordo com o número e a composição de cada família. Trabalha com um Produto Agregado, que para uma determinada família pode ser a conjunção, durante o mês, de criança na escola, bebê sendo vacinado, grávida comparecendo para consulta no posto de saúde. O total dos benefícios para a família é entregue à mãe (dona de casa) mensalmente, sempre que o Produto Agregado for atendido em seu total, e é suspenso de acordo com um processo que tenta ser mais educativo que punitivo.

5 – Skinner não inventou a contingência, só deu nome a ela e mostrou como podemos ser mais eficientes e eficazes, com menos coerção, quando a sociedade decide que alguma prática cultural tem que ser mudada.

6 – Transferências condicionadas de renda são usadas hoje em muitas e diferentes situações, desde programas de recuperação de dependentes de drogas à prevenção do comportamento criminoso em adolescentes.




quarta-feira, 20 de maio de 2015

Generalizando a Generalização em Análise do Comportamento.



"O conceito de generalização. Avanços na Análise do Comportamento" é um novo livro a ser publicado pela Editora da Universidade de Brasília. Eis o resumo do livro apresentado pelas autoras Yvana Gadelha-Sarmet e Laércia Abreu Vasconcelos, seguido pelo prefácio que escrevi.

RESUMO
“O conceito de generalização é central na teoria da aprendizagem e tem sido amplamente utilizado tanto na pesquisa básica quanto na aplicada.  Sua importância é clara também no contexto de aplicação, entretanto, a amplitude de utilização do conceito dificulta a compreensão do fenômeno e indica a necessidade de maiores investimentos nos campos conceitual e empírico. Este livro apresenta a variação conceitual desde a década de 30, uma revisão dos procedimentos utilizados no estudo da generalização com animais e humanos e uma discussão da noção de similaridade física e funcional, parâmetros utilizados na descrição da generalização. Apresenta-se ainda uma análise de estudos sobre comportamentos sociais, uma área que se beneficia do estudo sobre a generalização”.


Prefácio

Generalizando a Generalização em Análise do Comportamento.

Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça. O ditado popular ilustra o uso mais tradicional do termo generalização. A picada (estímulo incondicionado) que gerou a dor e o medo (resposta incondicionada) torna a visão da cobra (estímulo condicionado) suficiente para provocar medo (resposta condicionada) e fuga. Não só o estímulo original provoca medo; qualquer coisa parecida com cobra tem o mesmo efeito para o proverbial cachorro. Generalização era um termo originalmente reservado para fenômenos nos quais um respondente era eliciado por estímulos que eram neutros antes do condicionamento. Passou a ser usado para designar o controle exercido sobre a probabilidade de emissão de um operante por estímulos semelhantes ao estímulo discriminativo. A presente revisão da literatura da Análise do Comportamento a respeito do tema mostra como generalização foi generalizada para diversas outras situações normalmente encontradas na prática profissional, especialmente na clínica, e mais especialmente no trabalho com crianças.
Em experimentos de laboratório a situação é preparada de tal forma a garantir constância no ambiente quando se manipula a apresentação de algum estímulo. Quando se acende ou apaga uma luz, por exemplo, nada mais se altera no ambiente; quando a luz acesa varia ao longo de um contínuo de intensidade ou de cor, ou de localização no ambiente, por exemplo, é possível mostrar uma gradação – quanto mais próximo ao

estímulo original, maior a probabilidade do novo estímulo ter algum controle sobre a resposta condicionada e/ou sobre o operante. Na prática profissional o ambiente nunca é tão controlado, respostas raramente são tão simples, processos se sobrepõem, mas o problema colocado para o psicólogo de qualquer orientação teórica é semelhante em uma revisão da literatura muito bem apresentada pelas autoras.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quem tem saudades da educação moral e cívica?


         No jornal Correio Braziliense de 6 de janeiro de 2015 o colunista Ari Cunha escreveu:

“Notícia publicada neste jornal dando conta de que o deputado Rogério Carvalho (PT-SE) cedeu o apartamento funcional para alojar um contingente recrutado para reforçar a claque na cerimônia de posse da presidente Dilma é reveladora. Esse partido parece que se alimenta de mercenários. Somado a isso, fica estampada a dificuldade recorrente em separar o que é público do que é privado. Situação lamentável para quem prega um Brasil como pátria educadora. Quem educou alguém sabe que o exemplo é fundamental. Dona Dilma Rousseff terá um trabalho hercúleo pela frente com parte de seu staff.”
         Até aí tudo bem, o exemplo é mesmo muito importante na transmissão de práticas culturais. A solução preconizada pelo jornalista é que complica. Ele cita o pedagogo e filósofo René Hubert: a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano; a integração da pessoa na sociedade depende do estado dessas “faculdades”.
         Ao jogar a causa de ajustes e desajustes sociais para dentro de cada pessoa criamos um problema insolúvel para o educador. Integração na sociedade não é uma cerimônia de passagem, um batismo, e menos ainda um vestibular. “Faculdades mentais” são abstrações que escondem um caráter básico de interação comportamento-ambiente. Sei que as faculdades físicas de um aluno estão bem desenvolvidas quando ele mostra um dos melhores desempenhos na aula de educação física. Com as faculdades intelectuais a verificação é semelhante, ainda que mais complexa e bem mais difícil. Já as faculdades morais colocam um problema impossível para os que buscam uma explicação simples dentro de cada pessoa. A neurociência já avançou o suficiente para mostrar que não há núcleos isolados controlando “faculdades”, interações comportamento-ambiente envolvem mais que estruturas neurais e vias específicas.
         A tal integração na sociedade começa com as primeiras interações mãe-bebê. A sucção reflexa do seio é herança da espécie humana, mas o sugar rapidamente se transforma em comportamento operante, uma interação satisfatória para os dois personagens desse primeiro episódio social. Se o bebê não suga a mãe sofre com o acúmulo de leite na mama; se a mãe não tem leite o bebê sofre com a fome. Nenhuma interação social permanece sem coerção se não for mutuamente satisfatória.
         Se queremos uma sociedade integrada temos que olhar para essas primeiras interações, não só as que o professor observa quando a criança já vem interagindo com seu ambiente por mais de cinco anos. A integração da criança começa no berço.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Práticas culturais no país do faz-de-conta.


         Diz-se que no Brasil a educação não funciona porque o professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que aprende. É uma verdade terrível, em grande parte. O sistema funciona quando os comportamentos do professor são sensíveis a mudanças desejáveis nos comportamentos do aluno, e essas mudanças ocorrem em função de suas consequências para quem aprende. Essa interação depende de aprendizagem anterior: o professor aprende a ensinar na escola de formação de professores, assim como o estudante aprende a ser aluno desde o maternal.

É inócuo discutir a relação professor-aluno sem falar em repertório, palavra abominada por muitos analistas do comportamento (talvez por lembrar “adversários” famosos como Piaget e Vygotski). Para ilustrar uma questão de repertório: um bebê da classe de renda A (a Zelite do Lula) aprende para que serve um livro folheando um, ilustrado e de plástico, enquanto brinca na banheira; aprende que deve ser importante por observar pais e irmãos lendo; e é reforçado pelas histórias que ouve quando são lidos. De 0 a 3 anos o repertório desenvolvido pelas crianças é tal que aos 4 anos crianças da classe de renda E já não tem condições de competir com seus colegas da classe A.

O sistema educacional funciona como se todos os alunos chegassem ao primeiro ano com repertórios equivalentes, o que não é o caso. As interações proveitosas professor-aluno vão ocorrer para aqueles alunos mais bem preparados.


Como os Estados Unidos aprenderam, não há programa do tipo “No Child Left Behind” que dê jeito. As diferenças em repertório em geral só aumentam, aprofundando o fosso entre oportunidades de emprego e renda. Nesse contexto é irreal o que consta da constituição quando atribui a responsabilidade de educação à família e ao Estado. Sem a intervenção precoce do Estado os filhos das classes economicamente menos favorecidas continuarão à margem do futuro.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Chomsky e sua sombra: já nascemos com a estrutura da língua que ainda vamos aprender?


O jornal Correio Braziliense de 09 de abril corrente traz em sua página de ciência artigo de divulgação da jornalista Roberta Machado com o título “Receita linguística” e chamada “Experimento feito na Inglaterra reforça a teoria de que vários idiomas criados pelo homem obedecem a alguns padrões universais”. Este texto poderia começar de outra forma não fosse a afirmação da jornalista:
“O conceito de uma gramática universal surgiu há mais de oito séculos, mas só ganhou força a partir da década de 50, com a publicação de trabalhos de Noam Chomsky. Esse filósofo e linguista enfrentou o pensamento behaviorista ao defender a ideia de que toda pessoa nasce com a habilidade inerente de aprender qualquer língua no mundo.”
A reportagem cita declaração de Ana Paula Shcer, professora do Departamento de Linguística da Universidade de São Paulo (USP):
“Há fatos ainda mais simples que confirmam a existência de uma linguagem universal. Uma forte evidência é que, aos 3 ou 4 anos, uma criança saudável já adquiriu sua língua materna: trata-se de um sistema muito complexo, adquirido muito rapidamente.”
Sobre o experimento base do artigo da jornalista, pesquisadores ingleses mostraram a predominância de adjetivos sobre numerais e sobre demonstrativos em voluntários ingleses que participaram do trabalho, e afirmam que isso é demonstrado em várias línguas do mundo (mas não em todas). Atribuem isso à genética. Haveria uma gramática universal que herdamos (e os que falam as línguas que são exceções? Herdaram o quê?).
Não é necessário postular a herança de toda uma gramática. O que a Análise do Comportamento tem mostrado é que aprendizagens baseadas em características de estímulos físicos são mais fáceis e são aprendidas antes que aprendizagens baseadas em relações entre estímulos (como “maior que” ou “menor que”) ou entre comparações entre múltiplos aspectos do ambiente (numerais, demonstrativos). A aquisição rápida de repertórios é demonstrada há décadas por pesquisas sobre relações de equivalência, área em que quatro universidades brasileiras se destacam internacionalmente: UnB, USP, e Universidades Federais de São Carlos (UFSCar) e do Pará (UFPa).
Ninguém questiona a ideia de que nascemos com habilidades para aprender, mas não é necessário levantar a hipótese de que nascemos com o cérebro pronto para aprender a língua. Uma regra importante em qualquer ciência é a de que entre duas explicações, ficamos com a mais simples. Não há dúvida que nascemos com habilidades inerentes ao aprendizado da língua. Milhões de anos de evolução da espécie humana nos legaram um sistema nervoso e estruturas anatômicas característicos do homem. Mas ao nascer ainda não temos prontos nem o sistema nervoso nem as estruturas anatômicas. A criança de três anos que domina a gramática da língua materna tem três anos de aprendizagem baseada no que herdou dos antepassados, mas a direção do que vai aprendendo depende muito das interações que tem com seu ambiente, a começar por sua vida no útero.


Nenhum behaviorista, nem Watson, postulou que o organismo é uma folha em branco para um texto escrito pelo ambiente. Esse é um boneco de palha levantado por aqueles que são felizes por não saberem que não sabem. Não é daí que vem uma rejeição de uma gramática universal pronta e acabada que a genética nos daria.

Ao nascer o bebê humano é em grande parte uma incógnita. Só não é um desconhecido total porque são notórias as principais características da espécie. Sabemos que são pequenas as probabilidades de vir a ter mais de 2,20 ou menos de 1,50 metros de altura, que seu peso manterá alguma relação positiva com sua altura, é bípede, mas levará algum tempo para ficar em pé, aprenderá a falar, mas para isso vai depender de ajuda e incentivo. Para sobreviver vai depender da mãe para alimentá-lo e garantir proteção, sua mera presença um sinal de segurança.
Em maior ou menor grau todo bebê humano nasce preparado para uma ligação especial com quem o protege e alimenta, a mãe, ou cuidador (a). A voz da mãe já ouvia antes de nascer, um som que vai fortalecer o apego. O traçado do rosto humano é outra característica do ambiente que nasce “familiar” - o bebê não reage a faces como estímulos novos. O leite materno tem tudo o que precisa, e a sucção do seio nem tem que ser deliberada – o reflexo já vem pronto.
Várias dessas características nem são privativas dos humanos. Mamíferos, especialmente primatas, têm muitas das características que gostamos de acreditar que sejam exclusivamente humanas. No caso dos cangurus os filhotes são até mais indefesos que os nossos bebês – entre nascer e estar no mundo passam meses dentro da bolsa de sua mãe, com acesso às mamas e à vista do que se passa lá fora. Os macaquinhos agarram-se reflexamente aos pelos da mãe, um reflexo que seus “primos” humanos perderam, sobrou apenas um resquício que costumamos observar em visita ao pediatra.
Ainda há muito a ser estudado na interação herança-ambiente. Postular que estruturas cognitivas já vêm prontas não é postura de uma ciência natural. O que já sabemos é que a quantidade e a qualidade das interações da criança até os três anos são fundamentais para seu desenvolvimento posterior. Ações governamentais para assistir crianças nascidas em famílias de baixo nível socioeconômico são inócuas quando começam apenas quando a criança já tem três anos.

A  teoria da gramática universal biologicamente herdada é tão disseminada que até os leigos a usam. Ao comentar que tanto meus netos brasileiros quanto os americanos passaram pela fase de regularizar verbos (o último exemplo vem do Luca, o caçula, dizendo para mim:”Mommy buyed a ball for me”), ouvi a explicação: olha aí uma prova da gramática universal do Chomsky. Dá vontade de perguntar: Já ouviram falar em generalização?

David C. Palmer publicou recentemente o artigo "The role of atomic repertoin complex behavior" na revista The Behavior Analyst, 2013, 35, 59-43. Recomendo a quem quiser ler mais sobre o assunto.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quem inventou o "cantinho do castigo"?

Quem inventou o “cantinho do castigo”?
            O uso do timeout na vida diária tem sido atribuído à popularização de procedimentos terapêuticos originados na Análise do Comportamento. Ferster e Skinner (1957) usaram e definiram o termo  em seu enciclopédico livro sobre esquemas de reforço. Ferster também  o usou logo a seguir (Ferster, 1957). Em português os primeiros trabalhos envolvendo o conceito são de 1971; dada a dificuldade de usar um só termo que traduza o sentido, traduziu-se a definição: suspensão discriminada da contingência de reforço (Todorov, 1971). Obviamente a tradução não “pegou”, e ainda menos sua sigla – SDCR. Adotamos de tal maneira o timeout do inglês que já sugeri (brincando) seu aportuguesamento: taimaute.
            Um trabalho recente, exaustivo, sobre as primeiras publicações em Análise Comportamental Aplicada mostra que o timeout não foi inventado pelo Ferster. Morris, Altus e Smith (2013) argumentam que a prática é muito antiga:
            “Como um termo do vernáculo e como prática a origem de timeout ocorreu nos meados de 1800, quando significava um intervalo no trabalho ou nos esportes. Como prática no sentido moderno, é anterior à Análise do Comportamento. Provavelmente os pais já mandavam a criança se recolher a seu quarto como consequência de comportamento indesejado desde que as crianças passaram a ter seus quartos.”  (Morris, Altus e Smith, 2013, p. 87).
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Ferster, C. B. (1957). Withdrawal of positive reinforcement as punishment. Science, 126. 509.
Ferster, C. B., & Skinner, B. F. (1957). Schedules of reinforcement. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.
Morris, E. K., Altus, D. E., & Smith, N. G. (2013). A study in the founding of Applied Behavior Analysis through its publications. The Behavior Analyst, 36(1), 73-107.

Todorov, J. C. (1971). Análise experimental do comportamento de escolha: algumas considerações sobre método em psicologia. Ciência e Cultura, 23, 585-594.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Autismo, Análise do Comportamento e disputas de mercado


                Três artigos na seção Tendências/Debates da Folha de São Paulo tratam de abordagens para o tratamento de crianças autistas. Nilde Franch escreveu “Autismo e Psicanálise” em 13 de setembro de 2013, Del Rey, Vilas Boas e Ilo escreveram “Análise do Comportamento e Autismo” em 25 de outubro, e Vera Regina Fonseca escreveu a tréplica, Questão Complexa, Abordagem Ampla”, em 19 de novembro. Os três textos só esclarecem quem não precisa ser esclarecido. Os argumentos parecem mais voltados para uma disputa de mercado, do tipo “Minha abordagem lava mais branco”. Como o texto da Dra. Vera Regina Fonseca pretende resumir, ressaltar ou rechaçar argumentos dos anteriores, comento aqui partes de seu artigo.
                No autista, o resultado é uma dificuldade básica em se relacionar com as pessoas, o que o impede de usar a ligação com os pais para a regulação emocional..”. Isso não é um  fato; trata-se no máximo de hipótese de trabalho, algo a ser comprovado empiricamente. Será mesmo que a “mãe-geladeira”, a mãe que rejeita o bebê e não estabelece laços emocionais com a criança é uma das causas do autismo? Se isso é fato, como detectar a futura mãe-geladeira nas mulheres grávidas? Como prepara-las, por meio de terapia, para a futura tarefa de cuidar do bebê humano?
                Por meio de recursos técnicos próprios, o trabalho psicanalítico objetiva reativar os caminhos do desenvolvimento relacional e compartilhar estratégias com os pais. Aviso aos distraídos: a autora não está falando do método terapêutico psicanalítico associado ao termo Psicanálise. Trata-se de  psicoterapia convencional baseada na teoria psicanalítica da personalidade. Para uma avaliação de resultados há que descrever quais são os métodos técnicos próprios, dizer como constatar empiricamente a reativação dos “caminhos do desenvolvimento relacional” e descrever as estratégias a serem compartilhadas com os pais. Atacar essa abordagem “psicanalítica” do autismo achando que se trata da técnica tradicional desenvolvida por Freud é dar um tiro no pé.
                Um dos argumentos da réplica é que as estereotipias do autismo se devem à falta de repertório e de integração. Existe tal déficit, mas ele é secundário ao prejuízo central na capacidade de se relacionar. Outra hipótese de trabalho; não há constatação empírica. O que vem primeiro, o prejuízo central devido ao desenvolvimento atípico do sistema nervoso  ou a falta de interações adequadas com o ambiente físico e social? Ou os dois fatores são secundários a um desenvolvimento atípico da integração dos órgãos sensoriais? Na falta de respostas baseadas em constatação empírica, há que evitar diagnósticos preconcebidos por qualquer teoria e tratar cada caso como se fosse único; a priori nenhuma aprendizagem é impossível.  Lembrem-se que autismo não é nome para diagnóstico, apenas resume o que se entende por um espectro que abrange uma variedade de “sintomas” ou “comportamentos inadequados”.
                                “... não é possível uma “religião” que determine a exclusão da psicanálise de um campo no qual ela tem 90 anos de experiência, já que Melanie Klein trabalhou com sucesso uma criança autista na década de 20, antes até da descrição feita por Leo Kanner.”  Parece que a “religião” mencionada é a Análise do Comportamento. Reconheço que um ou outro analista do comportamento dentre os que conheço costuma se apresentar como profeta, mas lembro que a exigência de comprovantes empíricos do resultado da terapia não foi inventada por nós. Isso é coisa do povo americano, que costuma cobrar resultados daquilo que é feito com o dinheiro deles.
              Caio Miguel, analista do comportamento  brasileiro radicado nos Estados Unidos, internacionalmente reconhecido como especialista em autismo, recomenda os sites a seguir para obter informações sobre as vantagens da abordagem:

http://www.nationalautismcenter.org/nsp/
além do documentario sobre psicanalise e autismo. http://www.youtube.com/watch?v=8vZk1soZAC0


João Claudio Todorov, analista do comportamento, é Professor Emérito e Pesquisador Associado da Universidade de Brasília.

                

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

RESPOSTA A ROSELY SAYÃO SOBRE O CANTINHO DO CASTIGO

Cara Rosely,
Parabéns pela coluna “Cantinho do Castigo”. É muito importante usar uma coluna tão lida para alertar mães, pais e cuidadores sobre o uso indiscriminado de estratégias comportamentais na educação de seus filhos. Mas também é importante ser acurado na nomeação de estratégias. Usar adestramento, condicionamento, controle, como características de uma psicologia comportamental é deseducar o leitor. Não sei a qual psicologia comportamental você se refere, mas certamente não é a Análise do Comportamento (comportamental virou adjetivo atraente, usado para dar upgrade a outras marcas).
         É sempre arriscado transformar em técnicas de fácil manejo aspectos de estratégias terapêuticas, como por exemplo,  a popularização de interpretações “psicanalíticas”. É o caso mencionado em “Cantinho do Castigo”, sobre ser comum na internet “artigos, blogs, reportagens com listas e recomendações aos pais para bem educar os filhos”. O uso indiscriminado do time-out descaracteriza qualquer abordagem educativa e/ou terapêutica. Time-out quer dizer, em bom português, suspensão temporária sinalizada das consequências que mantêm uma interação. No exemplo da coluna a birra da criança ocorre na presença dos pais ou cuidadores. Nunca se viu ou ouviu birra quando a criança está se divertindo com seu vídeo-game favorito. A birra ocorre quando uma demanda não é atendida ou quando os adultos não lhe dão atenção. Birra é aprendida. A voz da criança tende a aumentar de intensidade, até virar berro, quando somente seus gritos recebem a atenção  da mãe. Só colocar a criança no “cantinho do castigo” não resolve, mesmo que venha com a ordem para refletir sobre o que fez. Remover a criança da sala resolve temporariamente o problema da mãe, não o problema da relação mãe-criança.
         Qualquer forma de punição é indesejável, é algo a ser evitado sempre que possível. Essa é uma das principais mensagens  da Análise do Comportamento. Quando é inevitável, o time-out é a forma mais branda de punição. Se a birra é mantida pela atenção da mãe, o que se recomenda é dar atenção à  criança de forma a evitar situações nas quais a criança só consegue atenção berrando. Isso envolve a educação de mães, pais, cuidadores, para uma boa interação com a criança. O que não quer dizer elogiar todo bom comportamento e punir todo comportamento indesejável. A Análise do Comportamento não programa robôs.
         Remédios embalados em caixas com faixa vermelha são vendidos apenas com receita médica. Sem a orientação de um analista do comportamento técnicas como o time-out são tão ou mais perigosas que muitos remédios. Divulgações irresponsáveis como as que você acusa deveriam também vir com uma advertência ao público: “O uso indiscriminado destas técnicas é prejudicial às suas relações interpessoais”.

João Claudio Todorov
Professor Emérito e Pesquisador Associado do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Comportamento da Universidade de Brasília



terça-feira, 27 de julho de 2010

Análise do Estatuto da Criança e do Adolescente.

No site walden4 de Márcio Borges Moreira pode ser visto trabalho com minhas alunas de iniciação científica (Maísa) e de mestrado (Gisele e Mara) sobre o ECA - estastuto da criança e do adolescente:

http://www.walden4.com.br/metacontingencias_e_o_eca/index.html