segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O "comportamento" das Agências de Controle também é selecionado pelas consequências desse controle.

O "comportamento" das Agências de Controle também é selecionado pelas consequências desse controle.

              Donald Trump quer deportar para seus países de origem imigrantes ilegais que chegaram aos Estados Unidos quando eram crianças, trazidos por seus pais e educados nos Estado Unidos. Deportar para onde? Para o país de seus pais? Não é seu país, não foram educados lá, sabem de cor o hino nacional americano, juram a bandeira de treze listras. Mas hipocritamente os adeptos da supremacia branca argumentam que a lei é essa, devem ser deportados porque são imigrantes ilegais. O jornalista David Leonhardt, no New York Times, mostra a falácia desse argumento. Seria simplesmente impossível para o Estado fazer cumprir sempre todas as leis. Há uma relação custo-benefício a ser considerada. No caso dos jovens americanos de origem latino-americana o custo do sofrimento humano seria enorme, incomensurável.

Na visão da Análise do Comportamento as interações na sociedade são reguladas por vários tipos de Agência de Controle, cada uma encarregada de certos tipos de relações condicionais. As interações melhor acompanhadas são aquelas nas quais as transgressões são apontadas de imediato pelos próprios envolvidos, como é o caso das refeições em família – comer de boca aberta é punido no ato pelos demais participantes da mesa. Quando o controle depende de agências formais, como o Poder Judiciário, entra em cena a relação custo-benefício. Segundo pesquisas da Economia a corrupção na sociedade envolve um custo tal para o Estado que não há como se prever sua erradicação; a corrupção pode ser controlada, mas nunca será extinta.

              O que fazer quando o controle direto pela Agência, como a religião, por exemplo, nem sempre, ou quase nunca, é possível? Internar o controle via regras. Não funciona muito bem, mas dá ao Agente a noção de que está fazendo o que deve ser feito. Só quem foi aluno de escola maternal da igreja sabe o que é ter medo do indizível, do perigo dos “maus pensamentos”. A crença no poder regulador dessas regras e valores não existe apenas na educação e na religião (e por consequência na família). Li também no jornal de hoje, o Correio Braziliense, que o Exército Brasileiro está preocupado com os militares temporários, que servem um máximo de oito anos e depois têm dificuldade de serem aproveitados em empregos do mercado. Muitos são tentados pelas gangues criminosas que assolam o país, cobiçados exatamente pelas habilidades que o Exército ensinou.  Eis o que o jornal publicou sobre o que o exército faz para prevenir a adesão às gangues:

              “Valores. De acordo com o Exército Brasileiro, durante o ano de serviço militar obrigatório, e nas escolas militares, são ensinados valores para afastar os integrantes da força do mundo do crime. Com foco em sua formação, são desenvolvidas atividades que incentivam o patriotismo, civismo, amor à pátria, solidariedade, entusiasmo, determinação e confiança. Para a vida civil, após deixar o Exército Brasileiro, são destacadas ações que valorizam a honestidade, apego à verdade, disciplina, respeito aos superiores e às autoridades, dedicação, probidade, lealdade e cumprimento às leis. ”

              Regras, auto regras e valores transmitidos via comportamento verbal, são eficazes enquanto não contrastam com contingencias do ambiente no presente. Seria mais eficaz se o exército primeiro treinasse o soldado para exercer funções com demanda no mercado e só o desligasse depois de passar por fase de experiência no emprego civil. 


              Voltando à “desamericanização” dos latinos, grande objetivo dos supremacistas da raça branca: o absurdo é tão grande que os netos e bisnetos de imigrantes legais e ilegais provavelmente não vão permitir que aconteça.