quarta-feira, 20 de maio de 2015

Generalizando a Generalização em Análise do Comportamento.



"O conceito de generalização. Avanços na Análise do Comportamento" é um novo livro a ser publicado pela Editora da Universidade de Brasília. Eis o resumo do livro apresentado pelas autoras Yvana Gadelha-Sarmet e Laércia Abreu Vasconcelos, seguido pelo prefácio que escrevi.

RESUMO
“O conceito de generalização é central na teoria da aprendizagem e tem sido amplamente utilizado tanto na pesquisa básica quanto na aplicada.  Sua importância é clara também no contexto de aplicação, entretanto, a amplitude de utilização do conceito dificulta a compreensão do fenômeno e indica a necessidade de maiores investimentos nos campos conceitual e empírico. Este livro apresenta a variação conceitual desde a década de 30, uma revisão dos procedimentos utilizados no estudo da generalização com animais e humanos e uma discussão da noção de similaridade física e funcional, parâmetros utilizados na descrição da generalização. Apresenta-se ainda uma análise de estudos sobre comportamentos sociais, uma área que se beneficia do estudo sobre a generalização”.


Prefácio

Generalizando a Generalização em Análise do Comportamento.

Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça. O ditado popular ilustra o uso mais tradicional do termo generalização. A picada (estímulo incondicionado) que gerou a dor e o medo (resposta incondicionada) torna a visão da cobra (estímulo condicionado) suficiente para provocar medo (resposta condicionada) e fuga. Não só o estímulo original provoca medo; qualquer coisa parecida com cobra tem o mesmo efeito para o proverbial cachorro. Generalização era um termo originalmente reservado para fenômenos nos quais um respondente era eliciado por estímulos que eram neutros antes do condicionamento. Passou a ser usado para designar o controle exercido sobre a probabilidade de emissão de um operante por estímulos semelhantes ao estímulo discriminativo. A presente revisão da literatura da Análise do Comportamento a respeito do tema mostra como generalização foi generalizada para diversas outras situações normalmente encontradas na prática profissional, especialmente na clínica, e mais especialmente no trabalho com crianças.
Em experimentos de laboratório a situação é preparada de tal forma a garantir constância no ambiente quando se manipula a apresentação de algum estímulo. Quando se acende ou apaga uma luz, por exemplo, nada mais se altera no ambiente; quando a luz acesa varia ao longo de um contínuo de intensidade ou de cor, ou de localização no ambiente, por exemplo, é possível mostrar uma gradação – quanto mais próximo ao

estímulo original, maior a probabilidade do novo estímulo ter algum controle sobre a resposta condicionada e/ou sobre o operante. Na prática profissional o ambiente nunca é tão controlado, respostas raramente são tão simples, processos se sobrepõem, mas o problema colocado para o psicólogo de qualquer orientação teórica é semelhante em uma revisão da literatura muito bem apresentada pelas autoras.

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