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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Um exemplo extremo de comportamento governado por regras.


         A posição do Partido Republicano dos EEUU em relação ao Acordo de Paris sobre o clima é mais um exemplo de comportamento guiado por regras, desconsiderando contingências e suas consequências. Falando em bom behaviorês: o acordo de 99,9% das nações do mundo prevê forte ação dos governos no combate às fontes de poluição atmosférica. Forte atuação do governo é tudo o que a ideologia conservadora do Partido Republicano combate.
         Para conservadores há uma regra básica: quanto menos governo, melhor. A mão invisível do mercado é um santo remédio para todos os males. Pressupõe-se que o povo é formado por cidadãos educados e conscientes de seus direitos. Sem a proteção do governo, a mera exposição às contingências do mercado fará cada um ser membro produtivo e empreendedor. Por consequência, só é pobre quem não quer trabalhar.
         No caso do clima, a intervenção dos governos é extremamente necessária por uma característica do processo de escolhas intertemporais: a poluição produzida por uma empresa representa uma vantagem imediata, ela não tem que gastar para mudar para fontes de energia não poluente, e uma desvantagem a perder de vista, quando eventualmente deixar de existir porque o ambiente em sua região estiver degradado. É um exemplo de comportamento que é ao mesmo tempo reforçado e punido, só que o reforço é imediato e a punição vem com atraso muito longo.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Erro tipo I, Erro tipo II, o aquecimento global e o fim do mundo.


              Dia sim, dia não, algum jornal, ou revista, ou programa de rádio ou TV, dá notícias de excesso de chuvas em algum lugar, falta prolongada em outros, geleiras derretendo mais do que deveriam, temperatura média da Terra aumentando. Os céticos argumentam que ciclos de aumento e diminuição da temperatura foram frequentes nos milhões de anos do passado conhecido de nosso planeta. Não haveria nada a fazer que pudesse impedir o atual aquecimento – argumento ideal para as empresas que mais poluem e os governos bancados por elas. Pode até ser verdade – mesmo com toda a energia necessária sendo gerada por fontes não poluentes, solares ou eólicas, o aquecimento global continuaria aumentando por causas que fogem ao nosso controle. Pode ser. E se não for?  Ficamos em situação delicada, a decisão deve levar em conta dois tipos de erros.

Erro Tipo 1
              Decidimos que o aquecimento global é culpa da poluição produzida por nós.

Se estivermos certos as providencias que tomarmos podem aliviar a situação controlando os níveis de poluição.

Se estivermos errados, o aquecimento continuará, mesmo sem mais poluição. Mas os recursos terão sido bem aplicados, pois haverá menos poluição.

Erro Tipo 2
              Decidimos que o aquecimento global não tem nada a ver com nosso comportamento.

Se estivermos certos predadores do ambiente terão menos oposição, poluindo cada vez mais, tornando insuportável a vida nas grandes cidades.

Se estivermos errados os predadores continuarão apressando o aquecimento global e tornando a Terra um planeta cada vez menos habitável.


              Quando escrevi sobre isso em 2010 a comunidade científica mundial ainda não tinha fechado questão. Informações sobre ciclos de aquecimento-esfriamento da Terra ao longo de muitos séculos, mais informações sobre a reciclagem de carbono nos oceanos, por exemplo, eram usadas pelos que não acreditavam na importância das ações humanas para o aquecimento. Em cinco anos já não se vê controvérsia nos meios científicos, seja pelo acúmulo de informações sobre o efeito deletério do uso de combustíveis fósseis, ou das notícias sobre excesso ou falta de chuva em regiões aonde isso não é comum, seja pelo reconhecimento do risco menor do Erro Tipo 1 em situações de incerteza.



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Todorov, J. C. (2010). On global warming and local indifference: Behavioral analysis of what persons can do about their own near environment. Behavior and Social Issues, 19, 119-123.