Analisar
experimentalmente qualquer interação significa isolar para observação em
laboratório essa interação (se possível), mantendo constantes variáveis
potencialmente importantes, para identificar quais alterações possíveis naquele
ambiente são importantes componentes da interação. Um modelo experimental
clássico é o usado por W. K. Estes e B. F. Skinner, publicado em 1941 no Journal of Experimental Psychology: “Some
quantitative properties of anxiety”. Ratos trabalhavam em esquema de
reforço positivo intermitente, mas de vez em quando um som era ligado segundos
antes de um choque inevitável nas patas. No comportamento humano, ansiedade é
um termo usado para descrever o comportamento em situações que sinalizam
estímulos aversivos inevitáveis, mas isso não esgota o significado do termo
quando aplicado a humanos. Seria mais adequado evitar o rótulo “modelo
experimental de ansiedade” para o procedimento de Estes e Skinner. O procedimento
estuda efeitos de estímulos associados a estimulação aversiva inevitável sobre
o comportamento operante. E só. Daí para a frente entra a teoria e as
interpretações que podem ser feitas, a partir de dados experimentais,
observações na clínica, no ambiente natural, etc. como fez Ferster com a
depressão (Ferster, 1973; veja abaixo link para o artigo).
Um problema nesta relação laboratório-clínica
reside na ausência de clareza na comunicação. Muitas vezes usamos o mesmo nome
para designar eventos ou processos diferentes. Em trabalho que deve ser
publicado ainda este ano um conjunto de autores procura diminuir a confusão
reconhecendo as diferenças entre conteúdo, processo e procedimento. Falamos de
ansiedade como conteúdo quando descrevemos queixas de uma pessoa, falamos como
processo quando interpretamos as observações à luz da teoria, e falamos como
procedimento quando preparamos um ambiente experimental para estudar o papel de
diversas possíveis variáveis importantes nesse processo.
Uma curiosidade: Ex-aluno de Skinner, Estes veio a ser um dos expoentes da Psicologia Cognitiva.
Estes, W. K., & Skinner, B. F.
(1941). Some quantitative properties of anxiety. Journal of
Experimental Psychology, 29(5), 390.
Ferster, C. B. (1973). A functional
analysis of depression. American Psychologist, 28(10), 857-870.
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